Capitulo 1

O Medo de abrir o “mar vermelho”

 

To: Holly.com

For:  Samantha. com

Minhas meninas,

Quero dizer algumas coisas muito importantes a todas vcs.

Principalmente a vc Samantha. Vc tem se mostrado uma pessoa forte espiritualmente, intelectualmente, com capacidade e eficiência em tudo o que faz, uma força incrível de sobrevivência. Logo, é inadmissível que uma pessoa com tais capacidades, passe substanciais necessidades, tanto materiais como afetivas.

Eu não consigo aceitar isso, pois vimos pessoas medíocres, de baixa intelectualidade, subindo os degraus do sucesso a cada dia. Será que fazem mais esforços e sacrifícios que vc? Não creio. Vc pode não saber, mas algo muito sério permeia o seu 'psicol'. Não precisa dramatizar. São coisas naturais. Acontece com todos nós em algum setor da vida. Acho que vc tem um grande medo escondido nas profundezas do seu inconsciente. Medo de ter dinheiro (não é à toa que vc é pouco materialista, gasta mais do que pode, não dá valor às jóias) isso tudo é uma forma inconsciente de renegar a força do dinheiro. Vc tem medo do amor, Samantha. Desde a sua adolescência, vc procurou desafiar o valor do amor. Se casou com um meio sangue como forma de protesto. Tudo inconsciente. E ainda hoje, se bate sempre com pessoas erradas como seu "love-affair". Não é uma condenação aceitar certos mistérios da nossa psique. Cada um de nós se defronta com eles, mais cedo ou mais tarde. E vc deve afrontar e reconhecer esse seu estado pra superar uma fase que parece não ter fim. Sem essa admissão vai ser muito mais difícil, acredite. A primeira coisa a fazer é delinear os seus objetivos e desejar ardentemente, mesmo quando parece ir contra a corrente. Parece uma coisa óbvia, mas às vezes esses desejos são 'manipulados' mentalmente e enquadrado dentro das necessidades do momento, logo, sabotados inconscientemente. Não é dizer: quero ser bem sucedida e pronto. Bem sucedida em quê? Na minha profissão. É muito vago. Seu campo, como muitos outros, é muito vasto. Vc precisa DEFINIR com exatidão, precisa haver um desejo bem definido. O desejo profundo, bem definido, desafia o bom senso, a lógica e a racionalidade. Se projeta em uma realidade alternativa, às vezes compreendida somente por vc mesma.

Por isso é importante o diálogo interior. É isso que quer dizer refletir, buscar dentro de nós o que realmente queremos, e sò vc, exclusivamente, deve ter certeza do que quer. Sem uma parada de introspecção é impossível identificar. Não se pode ir por aí atropelando as etapas, renunciando pérolas e aceitando ração. Vc deve perder o medo de renunciar as rações sob pena de nunca obter as pérolas. Vc deve ter um percurso definido pra obter o sucesso, crer nele, mesmo que precise haver renúncias. Crer em si mesmo é renunciar as mediocridades que te oferecem. Quem tem um objetivo e crer que é capaz de realizar, não tem medo de renunciar os tapa-buracos. Pegar tudo que te oferecem, mesmo sabendo que não é a tua estrada

só faz atrasar o teu processo e ocupar o tempo necessário pra se conhecer e identificar o que te realiza realmente.

Ser obstinada mesmo. Passe fome dois dias mas renuncie esmolas. Senhores, o meu alvo é bem outro. Eu sou capaz de construir um edifício e vcs me dão um cargo de oleiro - fazedor de tijolos? (com todo respeito pelos oleiros). A audácia de uns, derrubam a arrogância e prepotência de outros. Ser audaz é sinal de segurança, passa a idéia de eficiência, significa respeitar a tua dignidade profissional. Um arquiteto que aceita exercer a função do pedreiro, não merece confiança. Sei que a maioria dos trabalhos que vc faz tem grande relevância, não nego isso. Mas calculando bem, essa relevância pesa mais do seu lado ou do lado deles? Se pesa mais do seu lado, siga esse itinerário exija que seja acreditado e valorizado na medida merecida. Exija os seus méritos.

Bjs Holly 13-01-05

Cap.1

O Medo de abrir o “mar vermelho”

Resposta de Ly

To: Ly.com

For: Holly.com

Holly, querida, como sempre vc vai lá no fundo, talvez Samantha ainda não tenha condição de compreender esta coisa de subconsciente, não porque seja burra, mas porque não acredita. O fato é, que acreditando ou não, isso acontece, o que você falou não se aplica só pra Samantha, serviu certinho pra mim.

Seu texto me fez lembrar quando Moisés fugia e deparou com o mar vermelho e aí perguntou e agora Senhor o que vou fazer e Deus respondeu, como deveria ser feito. "E agora? Pergunta Moisés"

“Ou babaca” (interpretação minha), “vc tá com a faca e o queijo na mão e me  pergunta e agora?” Fala para as águas de abrirem, eu já não te dei o poder ? Então use-o. E ele, ah! é mesmo, abre-te mar e o mar: seja feita a tua vontade.

Muitas vezes temos tudo isso que Samantha, eu e etc,  tem e perguntamos "e agora?" e por puro medo, em vez de exigir que o mar se abra, vamos nadando, vamos de bóia, vamos de qualquer coisa, mas o mar tá bravo, o tsunami acontece e afundamos, mas poderíamos ordenar ao mar. Poderíamos?????? Como poderíamos????? Não enxergamos nosso potencial.

Enfim....vençer o medo de ser feliz.
Ly 14-01-05

Cap.1

O Medo de abrir o “mar vermelho”

Resposta2 de Ly 

To: Ly.com

For: Holly.Tess.Samantha.com

Oi,

Ando meio angustiada correndo atrás de dinheiro, não ando muito centrada.

Tô precisando de uns dias de férias, minha cabeça anda muito louca, tenho algumas noites sem dormir, acho que hoje vou apelar pra um remedinho, pois sem dormir fico extremamente estressada. Já sou, no natural, Imagine admitindo.

Hoje pedi a Bento pra pegar uma receita no trabalho dele, pois quando não durmo esqueço das coisas, fico intolerante e muito chata. Aí gasto mais energia ainda tentando controlar a minha chatice, o que gera mais estresse ainda.

Bem, talvez na próxima semana já possa ler.

Bjs

Ly 18-01-05

Cap.1

O Medo de abrir o “mar vermelho”

Resposta de Tess 

To: Tess.com

For: Ly.com

Oi Garotas,

Ly, tenha calma. As coisas se formam dia após dia, não corra contra o tempo. Relaxe, se organize e faça as coisas por etapas. Sei que vc está num momento difícil, sem dinheiro e sem funcionários, então não exija mais do que vc pode dar que isso não vai fazer vc ganhar mais dinheiro.

Se planeje, faça o que vc puder com calma. Se vc quiser me mandar por email tudo do dpto financeiro, eu organizo prá você, faço seu plano de contas no hábil e vou te mandando relatórios. Concentre-se em um projeto só, invista nele e depois passe para outras etapas. Veja o que está mais propício de conseguir ( espero que seja o nosso projeto musical). Tá faltando $$ para terminar o projeto, dê um tempo, vamos ver de onde há possibilidade de sair. O importante é manter a calma, nosso trabalho precisa de cabeças tranquilas que pensam, se vc está sem conseguir coordenar, o melhor é relaxar agora.

A partir de hoje, não siga aquela orientação do seu contador, não é correto, vamos fazer as coisas certas para que Deus abençoe a gente, ele não vai passar por cima dos nossos erros, ela quer que a gente seja correta em TUDO. "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". Com outros pode funcionar, mas com a gente, que conhece a verdade, não funciona.

Seja lá o que vc está passando agora, confie em Deus, Ele não pode falhar.

Descanse. Faça uma relação em casa, com tranquilidade do que vc gasta por mês na empresa, quais os custos das NF, eu organizo tudo e mando pro seu hábil. Essa é a primeira etapa para progredir. Força minha irmã, fé! Tenho muita esperança de que vamos conseguir vencer.

Bjs a Tutti

Tess 19-01-05                

Cap.1

O Medo de abrir o “mar vermelho”

Ly escreve 

To: Ly.com

For: Holly.Tess.Samantha.com

Queridas,

Pra mim o dinheiro não é quase tudo, ELE È TUDO, TUDO DE BOM.

Hoje tb tô meio revoltada pq não tenho dinheiro pra mudar a vida.

Samantha, eu penso em tudo isso, nas benesses que o dinheiro pode proporcionar, nas viagens, nos livros, nas diversões, lendo o livro do Wasghiton Olivetto, ele é bem metido, conheçe o mundo inteiro, comeu coisas maravilhosas, descreve NY, Paris e etc, com detalhes, tem lindas obras de arte, etc, etc e pergunto, porquê meu Deus, porquê?

Se Ele não faz acepção de pessoas, então porquê??

Quero ter a vida tranquila, quero pagar minhas contas, quero viajar, etc.

Ontem fui com uma associação de empresas onde o prefeito César Maia iria assinar a Lei que reduz o imposto sobre serviço de 5% para 2%. Gente, tinha tanta gente de evento bem sucedida, me senti um peixe fora d'agua, Samantha, os donos da Flay estavam lá, são dois irmãos. Saí aplicando a Bíblia, ou seja trazendo pra existência o que queria, queria ser cabeça e não calda.

Às vezes eu acho que basta uma palavra de Deus, uma palavra e a nossa sorte será mudada. Então SENHOR, porque não te apressas a dizer esta palavra? Esse é o mistério que tenho buscado desvendar.

O heróis da Bíblia eram tão falhos como nós. Davi adulterou e matou e mesmo assim era a menina dos olhos do Senhor. Pq não consigo enxergar este bordado pronto? Gente, que demora é essa? A minha vida tem passado tão rápido e com ela vão-se os melhores dias dos meus filhos também, e este socorro não acontece. Oh! Senhor, apressa-te em nos socorrer.Please.
Ly 14-01-05

Cap.1

O Medo de abrir o “mar vermelho”

Holly responde 

To: Holly.com

For: Ly.com

Queridas,

Concordo com Tess, Ly. A vida é um processo, minha filha. Um passo depois do outro. Se tropeçar, levante e recomece. O inimigo número um da paz interior é a frustração pelas nossas limitações. Queremos fazer tudo contemporaneamente e, nesse afã, arriscamos saltar etapas importantes. E o que acontece são resultados inferiores às expectativas e até mesmo retrocessos inutéis, atraso no processo e um maior acúmulo de estresse que gera infelicidade.

Seja mais complacente com vc mesma e encare cada faceta que se apresenta e assuma com coragem. Não faça de conta que vc tá aborrecida pq não dormiu, ou pq tà chuvendo. Vc não dormiu por um ou vários motivos. Quais? Ao invés de negar ou enterrar seus sentimentos (raiva, incapacidade, medo de falir, seja lá o que for) se abra à totalidade do seu ser, abra-se a eles, identifique-os e tente resolver-se interiormente. Eles chegam pra te avisar algo. Pergunte: ok senhor medo, o que vc quer? Que ponto fraco vc encontrou pra se introduzir? Vamos resolver isso. E enfrente-os com coragem e capacidade de aceitação. Qdo vc parar de achar que seus sentimentos negativos são somente algo duro pra carregar, ou pra se temer, vc nunca vai conseguir superá-los.  Eles são o sinal de alerta pra que vc se aperceba que atrás de cada imperfeição existe algo de positivo e é a esse algo positivo que vc tem de se agarrar. Algumas vezes vc se sente insegura mas, na maioria das vezes vc é audaz; em certas situações vc sente medo, mas em outras vc é muito corajosa. No momento vc está tensa, mas sabe que passa e que conseguirà relaxar. Logo, vc não é um fracasso. Vc deve encarar esses sentimentos como algo domável, que vc pode ter o controle sobre eles. Tô jururu agora? Ok . Vai passar. Não devo me abater. Acontece com todo ser humano. A negação deles ou a negligência sem uma prévia avaliação traz tensão, ansiedade e estresse.

É' inútil correr contra o tempo. Qdo vc começar se descontrolar pelo excesso, é hora de dar um time, avaliar o que é mais importante, em vez de querer fazer tudo contemporaneamente e relaxar a mente. Uma mente sadia é templo de sabedoria e prazer. Proporciona eficácia e criatividade pra operar com originalidade. Vai dar certo.

Bjs Holly 19-01-05

Cap.1

O Medo de abrir o “mar vermelho”

Ly responde 

To: Ly.com

For: Tess.com

Tess,

Vc tem razão, mas é que é muita coisa, hoje, por exemplo, já fui a dois clientes entregar projetos, pela manhã, tenho dois à tarde e tive que desmarcar uma que teria no RJ. Independente disso tenho que falar com o contador, fazer as contas da empregada , que só trabalha 3 dias por semana, ganha 305 reais e ainda gasta 100 de transporte por mês. Vou despensa-la e procurar uma que trabalhe todos os dias com passagem mais barata. Tenho que enviar "trocentos" projetos, ligar pra alguns contatos, organizar todas as feiras, são três só de livros, e fazer programação, convidar escolas, fazer home page, passar emails, convidar autores, pedir apoios, ufa!

Gente é muita coisa pra fazer sózinha.

Tess eu não posso mandar o financeiro pra fazer aí, tenho que sentar, ver quem são os fornecedores, os clientes, já tenho muita coisa em excel bem detalhadinho, mas tenho que buscar.

Mas o que mais desanima é a falta de grana, puts! Iss brocha qualquer um.

Gente vamos nos unir e meter as caras, Tess no financeiro, Samantha na comunicação e eu no MKT. Assim que ganhar dinheiro transfiro todo mundo pra aqui, vcs vão ver só.

Os meninos estão ótimos, estão sem dinheiro, o pai não manda mais nada, Falcon não fala mais com ele. E ele, de pirraça, enviou R$ 100 só pra Tchole, pode? Eu não aguento mais isso, já entreguei ele pra Deus e digo mais: tremenda coisa é cair nas mãos do Deus Vivo. Fico me controlando pra não ligar e fazer um baita escândalo. Juro que não tem sido fácil me conter, mas aquele já está entregue, seja feito a vontade Dele.

Mas estão bem, com as namoradas e sempre que tenho um dinheirinho divido com os dois, fico sem um puto, semanas, mas sempre dou tudo pra eles. Tê filho é foda......

No mais tudo na santa paz.

Bjs

Ly 19-01-05

Cap.1

O Medo de abrir o “mar vermelho”

Ly responde a Holly 

To: Ly.com

For: Holly.com

Holly,

Realmente eu sou ansiosa e quero tudo ao mesmo tempo, mas não me escondo dos problemas. Muito pelo contrário. Acho que sou muito dura comigo mesma. Enfrento todo o meu processo com a maior dignidade. Também, depois de 12 anos de terapia.... É  que este ano as possibilidades têm sido tantas que não quero perder nenhuma. Mas tb acho que tenho que ter cautela, coisa que me falta realmente. Não me acho ponderada e acho que muitas vezes sou até precipitada, em tudo, até em julgamento.

Gente, cadê Samantha?????

Bjs Ly 19-01-05

Cap.1

O Medo de abrir o “mar vermelho”

Samantha escreve 

To: Samantha.com

For: Ly.com

Oi Ly,

O que anda acontecendo com vc? Falta de grana realmente é uma coisa horrível: nos paralisa, nos dá sensação de impotência... e medo. Esses dias mesmo, eu estou assim. Tô otimista com relação ao futuro, porque estão pintando várias propostas e perspectivas boas. E eu estou acreditando que esse ano vai vingar. Entretanto, estou sem um puto sequer na bolsa. Pense.... nem um centavo MESMO. Meu telefone tá cortado, celular sem crédito, minha luz sob ameaça, o carro parado na garagem por falta de gasolina, geladeira vazia, nenhuma receita para entrar e um aperto enorme no coração. E pior, Brena levou uma amiga para passar uns dias lá em casa e foi uma ginástica pra não dá bandeira. O pai teve que entrar em cena para ir levando diariamente o rango do dia, aliás, a cara dele. Ao invés de se virar para botar comida dentro de casa ele vai dando 10 reais hoje, 15 amanhã... Ontem, por exemplo, me arrisquei ir no supermercado com 10 reais, pra me virar no almoço e na volta o carro faltou gasolina. Tive vontade de morrer de tão emputecida com a situação. Aos trancos e barrancos consegui enfiar o carro na garagem, a sorte é que eu tava na ladeira de casa. Que droga, viu!!! Ontem mesmo despachei Brena pra casa da amiga porque eu não aguentava mais o estress. Agora é a vez dela passar uns dias lá. Mas é pertinho de casa, praticamente vizinhas, mas foi um alívio. Hoje amanheci muito deprimida com essa situação, embora tenha certeza que a partir de março a coisa vai melhorar. Tenho muita fé nisso e estou apostando. Ai essa nossa esperança que não morre nunca...... Tô melhor agora porque a figura passou lá em casa e me arrastou pra rua com ele. Tô aqui na empresa esperando ele terminar uma reunião e depois, vou dá uma, bem dada, e tenho certeza que vou relaxar e ser feliz. Mas enfim.... agora as boas notícias. Lembra que fiz campanha em Macondo para o deputado  João Borges? Pois bem, ele me chamou lá no gabinete dele na terça-feira. Fui. Ele me contratou. Começo depois do Carnaval, salário de 2 mil reais com direito a vínculo, assistência médica e tudo o mais. NÃO, PENSEM NISSO.  Agora, o que vier, é lucro. Lembram de Von Cal,o prefeito de Santa Madalena? me ligou, pessoalmente, e disse que ainda esta semana me ligaria para agendar uma reunião. Ele quer me fazer uma proposta de trabalho. PODE? Fiquei pensando no que é postura profissional. Tanto Von Cal quanto João Borges são contatos de Pensivaldo. Lembram dele? O altão. Eu estava lá pela empresa dele, ele se indispôs com os dois, mas a minha marca ficou lá. E incólume, apesar da briga dos dois. A porta ficou aberta e agora os dois querem que eu trabalhe com eles. Estou muito feliz por esse reconhecimento ao meu trabalho. Bom, fiquem torcendo. Tenho certeza que as coisas vão melhorar. Hoje recebi uma ligação da Espanha. Minha amiga quer que eu vá pra lá. Tem casa e emprego pra mim, Disse que Brena tem estudo garantido. Mas vamos adiante... essa é uma cartada que pode esperar, caso nada dê certo. Mais uma vez, tentarei descobrir se aqui é o meu lugar.

Beijos,

Samantha 20-01-05

Cap.1

O Medo de abrir o “mar vermelho”

Holly responde 

 To: Holly.com

For: Samantha.com

Vai embora, mulé. O que vc ta esperando acontecer? Ficar gagà, dando uma e depois nada, é? Minha perocupação em vc vir pra Europa era como vc trabalhar. De Maria Bruaca jà viu que nao dà. Se essa amiga te arranja emprego, acho que vale a pena tentar. São oportunidades que podem não se repetir. O Brasil é o que é. Não acredito em mudanças. Vc jà deu o sangue e no que deu? Eu tb qdo trabalhava na Cortex, e resolvi picar a mula, todos os meus colegas me acharam doida. Uma vaga na Cortex naquela época era a ambição da maioria dos jovens. No entanto, eu não quis nem saber. Hoje, veja em que se resumiu a Cortex! Se eu pensasse muito, em perder um bom emprego, hoje estaria na mesma merda. Qdo Rose me disse o que ganhava antes de se aposentar, e olha que ela tinha 20 vezes mais tempo do que eu. Eu fiquei de boca aberta pela miséria que ganhava. A Europa é Europa. O euro é dinheiro e por menos que vc ganhe vc tem um real poder de aquisição. E pra Brena, entao, é ouro. A Espanha é bem diferente daqui. As pessoas sao muito "calientes" e tem alguma coisa a ver com o brasileiro. Pense bem, uma mudança a essa altura da vida deve ser radical mesmo, ou tudo ou nada. Além do mais, vc aqui pertinho de mim, jà pensou? A gente iria programar umas bem boas. Poderíamos até pensar tb em iniciar alguma coisa no ramo intelectual, paralelo ao seu trabalho. Aqui pode dar certo. Podemos pensar. Te dou toda força.

Bjs. Holly 21-01-05

Poesia

O DRAGÃO E A LUA VERMELHA

( Marco Milani ITA - IL DRAGO E LA LUNA ROSSA - trad. Eliude Santana )

 

 

 

Lua vermelha como fundo

Ao Dragão que voa,

Não duas coisas distintas

Mas uma só alma.

 

Calmas asas desdobradas

sem movimento de vento,

círculo vermelho profundo,

céu negro estrelado.

 

E em uma única letra,

por vital acordo

de potência latente,

que não explodirá nunca.

Poesia

O RAMO DE PESSÊGO

( Marco Milani ITA – IL RAMO DI PESCO - trad. Eliude Santana)

 

 

 

Nao è mais que um ramo

De pessêgo mucho,

frouxo, cadente,

empretecido de morte,

Não é mais que ramo,

recoberto de folhas,

como pequenas mãos,

que não poderão mais indicar o céu.

Não é mais que um ramo,

que uma vez era vida,

e agora permanece

entre lixos e dioxina,

a preveder o futuro

Artigo

O buraco do metrô não é fatalidade (Parte I)

Por elaine tavares - jornalista

 

A mulher, velhinha, sai aturdida sob o foco dos jornalistas. Nas mãos, leva um saco plástico com algumas roupas e a imagem de Nossa Senhora. Quem mais lhe valeria, senão ela, a mãe de deus? As lágrimas correm soltas e o ar é de estupefação, de abandono. A casa que lhe serviu de lar por mais de 60 anos está sendo arrancada dela. Precisa sair, deixando toda a sua vida, suas memórias, seus objetos pessoais. A mulher, aos prantos, é mais uma vítima do buraco do metrô. Esta, pelo menos, ainda conserva a vida. Menos sorte tiveram os que estavam no micro-ônibus, na Van ou nos caminhões. E, enquanto os dramas humanos desfilam na telinha, os repórteres e autoridades falam de “fatalidade”.

 

Ora, o buraco do metrô de São Paulo, que ceifou vidas e desalojou dezenas de famílias, não é uma fatalidade. É uma ação concreta, planejada por homens e mulheres. É uma obra que recebe as bênçãos de todos os que vivem na grande cidade, porque precisam dela. É fruto do desejo de progresso. Ela encurta distâncias, ajuda as pessoas a chegarem mais rápido no seu trabalho, desafoga as ruas já tão congestionadas de carros.

 

A cidade de concreto, apinhada de gente, colméia humana, precisa crescer para baixo. Precisa abrir túneis, crateras, linhas, estradas subterrâneas, para que as gentes possam escoar. A sanha do crescimento, o domínio da natureza, a arrogância da raça que tudo pensa dominar. Então, um cálculo mal feito, um prego mal pregado, uma parede mal concretada e a Pachamama se revira, viva. É. Porque a terra é viva. Ela é parte de nós. Tem desejos, vontades, boceja, espreguiça, se remexe, expele, sanfoneia.

 

A terra, viva, sente cada ação do humano sobre ela. Quando fazem testes nucleares ela se fende, o mar corcoveia nos tsunamis e o solo treme. Quando os gases nocivos são demasiados, ela tosse, formando furacões, tormentas, vendavais. Quando há o consumo exagerado da energia fóssil ela perde a capa protetora e as camadas de gelo derretam provocando inundações. Todo movimento da Pachamama nunca é fatalidade. É sempre um re-agir. Ela geme, se retorce e anuncia aos que nela vivem que há que entender, de uma vez por todas: a vida de todas as espécies está ligada por um fio. Cada ação tem uma reação. Tudo está em conexão.

 

Este não é um discurso de eco-chato ou de militante da nova era. É só a leitura nua e crua da realidade. A velhinha que sai da casa onde viveu a vida toda talvez agora possa compreender o que significa o progresso predador. É possível que ela nunca tenha pensado sobre isso. E, no fim, é preciso que a terra se parta engolindo as gentes para que se possa intuir que algo vai mal na maior cidade do Brasil.

 

Artigo

O buraco do metrô não é fatalidade (Parte II)

Por elaine tavares - jornalista

 

Não se trata, é claro, de fazer culpado quem é vítima. Os milhões de seres que acorrem às grandes cidades em busca de vida melhor nada mais são do que o resultado de um modelo de desenvolvimento que está pouco se lixando para a vida da maioria. As pessoas querem ser felizes, se movem em direção disso, por isso estão sempre migrando. Porque nos sertões, nos cantões do mundo, nada há além de fome e opressão. E, assim, vão para os grandes centros onde tampouco encontram o que buscam. Então, na selva de pedra, vivem outros dramas: enchentes, desmoronamentos, deslizamentos, balas perdidas. Fatalidades?

 

Agora, as empreiteiras que fazem o metrô, sem qualquer fiscalização do Estado, inventaram um novo jeito de comer gente. Já não basta a exploração dos trabalhadores. Assim, impunes, abrem buracos no chão, sugando o dinheiro de todos em nome do progresso. E, ao cuspirem corpos mortos, ninguém se responsabiliza. O governo, tal qual Pilatos, lava as mãos. Não tem culpa. A direção do metrô não tem culpa. As empresas não têm culpa. Certamente encontrarão algum engenheiro jovem ou um peão, a quem transformarão no cordeiro. “Foi ele”! E tudo acabará bem. O buraco será fechado, as obras do metrô continuarão. Poucos meses depois as gentes estarão correndo nos trens subterrâneos na pressa do capital. Ninguém mais se lembrará dos mortos ou dos que tiveram de deixar suas casas. Até que, de novo, a terra, viva, grite de dor. Então os repórteres voltarão a falar de “fatalidades”.

 

Quando os humanos aprenderão? São apenas uma espécie, entre tantas, nesta bola azul. Quando perderão a arrogância? Quando voltarão a reverenciar a Pachamama, cuidando dela? Quando perceberão que o modelo de desenvolvimento proposto pelo capitalismo é uma sentença de morte pairando sobre a cabeça de todos? Chegará esse dia? Chegará?

Conto

ALGUEM ME VIU?

Ray Silveira

Eu jurava que era eu. Tinha tudo para ser eu: o mesmo porte, a mesma silhueta e a mesma sombra magra. Eu morava no décimo andar, mas podia ver tudo. Estava sentado numa pedra, o cotovelo apoiado na coxa, a cabeça abaixada e a mão direita sustentando a mandíbula. Exatamente, como no “O Pensador”. Não me contive. Desci correndo as escadas. Sequer paciência para esperar o elevador.  Frustração, ódio, quase desespero: não era eu. Nem parecia comigo...

 

Me meto em situações ridículas: interrogo transeuntes desconhecidos, sinalizo e paro transportes coletivos, telefono para estranhos. As pessoas riem. Certamente cuidam que sou louco, por procurar aleatoriamente alguém numa cidade tão grande quanto esta. Afinal, são três milhões de habitantes. Mas, como poderia fazer de outra maneira? Não tenho meu endereço... Sim, já pus anúncios em jornais, inclusive com a minha foto.  Nenhuma pista convencional.

 

Outras vezes, caminho à toa pelas ruas observando lugares onde poderia ser encontrado: bares, livrarias, açougues, bibliotecas, curtumes, cinemas, cerâmicas, parques de diversões e matadouros. Nada. Desconfio que me escondo de mim. Um dia desses contratei um detetive. O relatório dizia isso mesmo. Quando não há vestígios de uma pessoa desaparecida, é quase certo que utiliza toda a energia e capacidade mental para esta única finalidade: esconder-se.

 

Numa certa madrugada me alevantei, apanhei a maleta velha, examinei mais uma vez o conteúdo e saí. Podia ser a hora que costumasse sair de casa. Para não ser visto. Para não se encontrar comigo. Moro nas proximidades da rua Treze de Maio, entre Assunção e Floriano Peixoto. Caminhei em direção ao centro da cidade. O modo como segurava a maleta parecia suspeito. Pressionava-a contra o peito, com ambos os braços, como se protegesse um bebê.

 

Na Praça dos Voluntários, entrei na Secretaria de Polícia e procurei como se estivesse buscando um alfinete. Continuei a caminhar pela General Bezerril, para a Praça do Ferreira. Prossegui pela rua Major Facundo até o Passeio Público. Vasculhei cada metro quadrado Depois me masturbei mais uma vez na calçada do hotel. Mas sem largar a maleta. Segui, em linha reta, pela rua Castro e Silva, caminhando pela calçada da Santa Casa, onde entrei. Examinei todos os leitos das enfermarias de homens. Nos fundos do hospital, uma agência funerária. E anexo a esta, o necrotério. Era o último lugar onde faltava procurar. Havia um único funcionário de plantão. Naquele dia, esperei até que raiasse o dia. Depois da longa espera, a desinformação: “Não, não consta nada nos nossos registros. Pesquisei de 1945 para cá. Nenhum cadáver deu entrada que pudesse ter sido o senhor”.
Ray

 

REALITY BOOK

Assim como nos realitys Tv, nesse reality virtual é necessário muita coragem também, pra deixar-se invadir e penetrar nos detalhes da vida pessoal dessas quatro irmãs, detalhes às vezes fortes e privadíssimos, que até entre elas mesmas, muitas vezes se tornava dificil confrontar.

A trama é muito simples, porque são retalhos de vida, vividos dia após dia, passando entre os cabos de quatro computadores, através do correio eletrônico.

Essas quatro irmãs, a um certo ponto da vida, se separarama e cada uma tomou estradas diferentes. Depois de alguns anos, se reencontraram e conseguiram retomar uma comunicação normal, quase cotidiana.

Como disse Muriel Rukeyser, "O universo é composto de histórias, não de átomos"

E aqui começa a história do universo de quatro irmãs Samantha, Holly, Ly e Tess.

Uma história que, sem dúvida, transmitirá verdadeiras lições de uma vida emotiva vivida em três pólos diferentes, - Salvador-Rio_Itália - e em quatro dimensões. Sim, porque são quatro mentes bem distintas mas que, devagarzinho foram entrando em uma perfeita sintonia, ao ponto de tornar esse contato quase indispensável, cada vez que elas abriam o PC. Se transformam em “e-mail-dependentes”.

A grande linha de afeto familiar que as unia, um dia se partiu, e se trifurcou; cada uma cresceu e tomou rumos diferentes. Mas a unidade fundamental afetiva, a celula emotiva que as unia, nao se desvaneceu.

Facilitada com o advento da comunicação veloz e em tempo real, aquela veia trifurcada se uniu e começou de novo a afluir e a nutrir o coração de cada uma com a sua linfa, rica de afeição, compreensão, encorajamento, apoio moral.

O que o leitor começará a ler a partir de agora, poderá náo traduzir uma perfeita obra literária, mas o importante é a garantia da autenticidade dos sentimentos vividos e transmitidos com exatidão, em cada e-mail transcrito aqui..

Você vai penetrar agora, em um universo feminino, em muitos momentos considerado privado, mas corajosamente consentido por elas, à "invasao" coletiva. 

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