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BEBÊS SOB MEDIDA

Há quase 30 anos do nascimento de Louise Brow – o primeiro bebê de proveta -  a tecnologia da concepção tem revolucionado o modo pra se procriar. A evolução veloz da biotecnologia, induz o mercado das opções a novos desejos e muitos atalhos, na obtenção dos mesmos.

Uma spécie de eugenética com bases econômicas e sociais pra se obter o que hoje se chama ‘designer babies’.  O supermarket da procriação. Um verdadeiro business pra os centros de fertilização, nos EUA. Pra ter um bebê sob medida, basta clicar no site do ‘Fertility Institutes de Los Angeles’ e informar-se.  O instituto dar a garantia de 99,99% na seleção do sexo e ainda um screening pra pelo menos 200 tipos de doenças genéticas.

Pra a escolha do sexo, se utiliza métodos sofisticados como o MicroSort – patenteado pela ‘Genetics & Ivf Institute’ -  que deixa os cromossomos fluorescentes. O ‘X’ (feminino) contém mais DNA do que o ‘Y’.

Uma escolha baseada no sexo,  não só pra evitar doenças como a hemofilia, mas também pra atuar como uma seleção definidamente social, como na China e Índia, que recorrem ao Instituto na intenção de poder procriar filhos machos. Somente dos chineses, são mais de 140 mil cliques no site Fertility, por mês.

Se falou muito sobre o casal surdo-mudo de lésbicas alemãs, que fez um tipo de escolha insólita:  usou o sémem de um amigo, também surdo-mudo, pra ter um filho à imagem e semelhança delas.

A margem pra evitar os confins da escolha entre a prevenção à predisposição genética a certas patologias, e a seleção por questões sociais ou pessoais, é muito sutil. Quase inevitável, garante os experts.

Essa prática não é permitida nos Países da União Européia, mas são muitos os que vão em busca do ‘filho pré-fabricado’ em outros países.

O futuro da natureza humana está sendo colocado em discussão.  Será que já entramos na era post-humana, como falou F. Fukuyama? O liberalismo genético, proposto por muitas sociedades, prevê um futuro em que será possível transferir material genético pra otimizar atributos ou capacidades.

O cenário não seria aquele de crianças programadas, não só pra evitar patologias genéticas, mas sob encomenda, com caracteristicas físicas e mentais escolhidas pelos pais como, altura, inteligência, cor dos olhos, nenhuma propensão à timidez, depressão, uso de drogas, alcool, e, quem sabe, uma garantia pra, se por acaso a criança não corresponder ao identikit escolhido pelos pais, poder ser trocada ou devolvida?  Segundo alguns biólogos, são fantasias que espelham os aspectos irreais e sensacionais produzidos pelos meios de comunicação, sobre tudo que se refere à manipulação genética. Por mais que se conheça o perfil genético do individuo que se quer selecionar – dizem - o fenótipo final será sempre definido de modo muito probabilístico. Que consolo!

A nossa consciência sobrevive à morte?

Chato falar disso, né? Será por medo, desprezo ou falta de curiosidade? Os dois últimos são muito improváveis pois, pelo menos uma vez na vida, se pensa, de carreirinha, no que poderá acontecer conosco quando passarmos pra o Além Vida. Mesmo que muitos afirmem de não se importar com o que acontecerá consigo depois da morte, acho que bem dentro se preocupa e como!. Então, o único problema mesmo é o medo de pensar e “atrair” a famigerada.

A Morte é o maior mistério da humanidade. Pressupondo que existam provas concretas da sobrevivência da consciência ou, pelo contrário, não se tenha dúvidas de que ela se esvanirá junto com a matéria, a única coisa certa é que ninguém sabe de preciso o que sucede depois da morte. Tentando desnudar esse mistério, o escritor David Brown reuniu algumas das mentes mais iluminantes e criativas desse planeta, pra discutir sobre o argumento. Resumiu tudo em um livro – Reflexões sobre o iminente apocalipse.

Despak Chopra e Ram Das, acreditam que existem aspectos da nossa consciência que sobrevivem à morte. “Quando o corpo morre, consciência permanece intacta” afirma Chopra “A consciência perde somente o veículo de sua expressão”. Afirma que aquilo que pensamos sobre a morte, pode condicionar o que acontecerà efetivamente no além. Assim como aqui nessa vida, nós somos o resultado do que pensamos – nossas atitudes são frutos do nosso pensamento – assim também, o que acontecerà depois da morte, dependerá das nossas expectativas sobre ela. Os ateus, por exemplo, que crêem que quando se morre se penetra em um vazio total, poderão fazer uma experiência desse tipo, quando morrerem; quem é convicto de que lhe espera um paraíso, com oásis de bem-estar e vivência fantástica, jamais experimentadas na Terra, terminará indo pra um lugar semelhante.

Dos entrevistados por Brown, somente poucos admitiram de aceitar a morte como ela é , ou seja, um mistério.

E eis aqui um bom argumento pra estimular a imaginação, levando-a a um nível bem mais profundo. Serve também pra desestabilizar o fantasma do medo. A forma melhor pra perder o medo daquilo que nos ameaça é afrontá-lo. Com a Morte, um face-to-face não é aconselhável. Não conheço ninguém que, vendo-a na cara, conseguisse escapar. O melhor é dissecá-la nos seus “membros e artilhos”, se aprofundar nos seus mistérios e dizer: Tà bom, dona Morte, te conheço sem te ver, não vai me pegar de surpresa, não!

Cada um a conhece com os olhos da própria imaginação!

Somos todos espiados

Will Smith, quando filmou ‘Enemy of the State’ afirmou que a tecnologia de espionagem mostrada no filme é nada,comparando àquela real. Fazendo um saltinho à Cia pra reconhecimento, o nível tecnólogico dos poucos instrumentos que lhe mostraram, era impressionante. De gravador pra ser inserido em um dente à arma especial que bloqueia à distância, um motor de um carro em alta velocidade. Hoje, que queiramos ou não, somos todos espiados. A Nsa (National Sicurity Agency) com seus satelites e os 120 mil agentes, tem a capacidade de controlar todos os nossos movimentos: dos telefonemas aos e-mails, dos pagamentos com bancomat a cartas de crédito.Um ‘Big Brother de Ultra Dominio à distância’ como disse Century? Penso proprio de sim. Qual maior Big Brother que a Nsa, criada em 1952 pelos EUA, pra combater a guerra fria? Através dos seus satélites passa 95% das comunicações ocidentais. Fax, mensagens eletrônicas e mensagens beeper, são desviados a 50 posições de escutas em 20 países do mundo. O supercomputador Cray, é adestrado pra reconhecer certos números de telefone, timbre de voz ligadas ao terrorismo e, basta que em uma e-mail contenha a palavra ‘bomba’ ou Bin Lader, pra que a mensagem termine nas mãos de um selecionador da Nsa, que passa à Cia, FBI, departamento de Estado ou a uma das agências da Intelink – rede Intranet top secret – onde os espias americanos trocam mensagens.Echelon é uma rede de escuta que mantém sob controle o inteiro planeta; graças ao software N-gram, pode monitorar o trafego das comunicações analisando todas as mensagens que contenham uma ou mais palavras chaves. Sem falar nos circuitos internos externos, micro câmeras e cia... que guia cada passo nosso.

A Mulher e a Emoçao

Com a emancipação da mulher, muitas coisas foram modificadas com relação a uma parte fundamental e essencial do caráter feminino: a emoçãoNos dias de hoje, a sociedade civil em todo o mundo, observa com preocupação o aumento da frequência dos crimes violentos, dos suicídios e abusos de drogas por parte das mulheres, sem falar de tantos outros indicadores de desequilíbrio emocional.Creio que, no afã de tentar obter a igual oportunidade dos homens, nós mulheres, nos esquecemos um pouco da capacidade fundamental do coração – a emoção e a capacidade inter-pessoal. Estas capacidades são tão essenciais quanto aquelas intelectuais, pois servem pra equilibrar a racionalidade.A mulher se parece muito com o planeta Terra: 80% de flexibilidade, ou seja, água/emoção. Não podemos negar, por mais que queiramos nos aproximar do sexo forte.Alguns anos atrás, a mulher era a parte pacificadora da sociedade, porque dava uma maior atenção à competência social e emocional, e sendo assim, havia mais capacidade de gerenciar a própria cólera em relação a si mesma e aos outros. Hoje, a mulher, com um rítmo de vida muito mais frenético, se encontra no dever de se confrontar com uma nova realidade que possa criar uma compatibilidade entre razão e emoção, porque a racionalidade é guiada pelo sentimento. Afirmava Daniel Goleman: ‘Quanto mais intenso for o sentimento, muito mais dominante é a emoção – e mais eficiente a racionalidade’.

O Mito da Super Mulher

É possível para uma mulher, conciliar vida doméstica e carreira sem cair na mediocridade? Lá onde a natureza autêntica da mulher foi substituida por outras autênticas fábulas, administradas osmoticamente por uma sociedade discordante, subsiste um conhecimento sublimado, às vezes subversivo. A sublimação, por sorte existe em cada mulher, mesmo sob forma de ficção ou de mentira mesmo.Existe o mito da super-mulher: aquela que pensa de ser capaz de representar vários papéis ao mesmo tempo sem tocar o alicerce da inabilidade. Sustentar que nós mulheres podemos nos sair à perfeição, desempenhando os papéis de mãe, esposa, amante, companheira e além de tudo fazer carreira não è somente um blefe mas uma coisa impossível. Sabemos que è inadmissível mas nos inganamos da mesma forma, fingindo de conciliar muito bem todos esses papéis que nos propomos (ou que nos propõem), somente pra poder passar um perfil da mulher vencedora”.As mulheres, principalmente as da nossa geração, aprenderam ainda em tenra idade, das instituições sociais, apoiadas pelas revistas femininas, a forma mágica pra serem sempre sexy, jóvem, manager e mãe, uma mulher em carreira, sempre em ascensãoSe pensamos em poder exercer todas essas tarefas sem cair na mediocridade, ou somos umas pobres loucas extremistas, resíduo bélico dos tempos radicais, ou então nossa geração feminina sofreu uma queda dramática e desenfreada do hormônio da concretização.”É verdade que não devemos ser escravas do conformismo, da banalidade que nos faz massa, mas não podemos pretender de sermos tão ecléticas ao ponto de convergirmos todas essas funções sem descermos ao nível da incompetêcia. Devemos aprender a aceitar essa condição sem imposições externas. Não è nenhuma desonra. Uma manager não deveria haver sentimento de culpa por não conseguir ser uma super mãe ou uma bomba sexy, e vice-versa; pelo contrário, deveria tirar uma profunda satisfação em conseguir conciliar todas essas coisas, englobando dentro de um parâmetro aceitável, mesmo sendo medíocre.”É dessa mentalidade que a maioria das mulheres ainda não são dotadas. Não devemos perder a estrada da realidade: è irrefutável o fato de que não podemos nos dedicar ao filho recém-nascido, dar de mamar, levantar de noite pra fazer a mamadeira, acordar às cinco pra escolher o que vestir; levar o filho maior pra escola, preparar reunião, tomar decisões, discutir sobre negócios e ainda manter o sex appeal. Meio-dia, depois de mastigar alguma coisa velozmente, pegar a criança na escola ou levar o menor ao médico, voltar ao trabalho com a cabeça fresca pra enfrentar novos problemas. Mas...à parte toda essa imposição da mídia de querer nos fazer adotar o mito da ‘supermulher que tudo pode’ pra poder entrar nos parâmetros da mulher de sucesso, por que diabos devemos nos expor a tanto estresse, correndo o risco de falir e renunciar? Afinal de contas, devemos fazer alguma coisa por nós mesmas também, não, meninas?”
Eliude Santana

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O buraco do metrô não é fatalidade (Parte I)

Por elaine tavares - jornalista

 

A mulher, velhinha, sai aturdida sob o foco dos jornalistas. Nas mãos, leva um saco plástico com algumas roupas e a imagem de Nossa Senhora. Quem mais lhe valeria, senão ela, a mãe de deus? As lágrimas correm soltas e o ar é de estupefação, de abandono. A casa que lhe serviu de lar por mais de 60 anos está sendo arrancada dela. Precisa sair, deixando toda a sua vida, suas memórias, seus objetos pessoais. A mulher, aos prantos, é mais uma vítima do buraco do metrô. Esta, pelo menos, ainda conserva a vida. Menos sorte tiveram os que estavam no micro-ônibus, na Van ou nos caminhões. E, enquanto os dramas humanos desfilam na telinha, os repórteres e autoridades falam de “fatalidade”.

 

Ora, o buraco do metrô de São Paulo, que ceifou vidas e desalojou dezenas de famílias, não é uma fatalidade. É uma ação concreta, planejada por homens e mulheres. É uma obra que recebe as bênçãos de todos os que vivem na grande cidade, porque precisam dela. É fruto do desejo de progresso. Ela encurta distâncias, ajuda as pessoas a chegarem mais rápido no seu trabalho, desafoga as ruas já tão congestionadas de carros.

 

A cidade de concreto, apinhada de gente, colméia humana, precisa crescer para baixo. Precisa abrir túneis, crateras, linhas, estradas subterrâneas, para que as gentes possam escoar. A sanha do crescimento, o domínio da natureza, a arrogância da raça que tudo pensa dominar. Então, um cálculo mal feito, um prego mal pregado, uma parede mal concretada e a Pachamama se revira, viva. É. Porque a terra é viva. Ela é parte de nós. Tem desejos, vontades, boceja, espreguiça, se remexe, expele, sanfoneia.

 

A terra, viva, sente cada ação do humano sobre ela. Quando fazem testes nucleares ela se fende, o mar corcoveia nos tsunamis e o solo treme. Quando os gases nocivos são demasiados, ela tosse, formando furacões, tormentas, vendavais. Quando há o consumo exagerado da energia fóssil ela perde a capa protetora e as camadas de gelo derretam provocando inundações. Todo movimento da Pachamama nunca é fatalidade. É sempre um re-agir. Ela geme, se retorce e anuncia aos que nela vivem que há que entender, de uma vez por todas: a vida de todas as espécies está ligada por um fio. Cada ação tem uma reação. Tudo está em conexão.

 

Este não é um discurso de eco-chato ou de militante da nova era. É só a leitura nua e crua da realidade. A velhinha que sai da casa onde viveu a vida toda talvez agora possa compreender o que significa o progresso predador. É possível que ela nunca tenha pensado sobre isso. E, no fim, é preciso que a terra se parta engolindo as gentes para que se possa intuir que algo vai mal na maior cidade do Brasil.

 

Artigo

O buraco do metrô não é fatalidade (Parte II)

Por elaine tavares - jornalista

 

Não se trata, é claro, de fazer culpado quem é vítima. Os milhões de seres que acorrem às grandes cidades em busca de vida melhor nada mais são do que o resultado de um modelo de desenvolvimento que está pouco se lixando para a vida da maioria. As pessoas querem ser felizes, se movem em direção disso, por isso estão sempre migrando. Porque nos sertões, nos cantões do mundo, nada há além de fome e opressão. E, assim, vão para os grandes centros onde tampouco encontram o que buscam. Então, na selva de pedra, vivem outros dramas: enchentes, desmoronamentos, deslizamentos, balas perdidas. Fatalidades?

 

Agora, as empreiteiras que fazem o metrô, sem qualquer fiscalização do Estado, inventaram um novo jeito de comer gente. Já não basta a exploração dos trabalhadores. Assim, impunes, abrem buracos no chão, sugando o dinheiro de todos em nome do progresso. E, ao cuspirem corpos mortos, ninguém se responsabiliza. O governo, tal qual Pilatos, lava as mãos. Não tem culpa. A direção do metrô não tem culpa. As empresas não têm culpa. Certamente encontrarão algum engenheiro jovem ou um peão, a quem transformarão no cordeiro. “Foi ele”! E tudo acabará bem. O buraco será fechado, as obras do metrô continuarão. Poucos meses depois as gentes estarão correndo nos trens subterrâneos na pressa do capital. Ninguém mais se lembrará dos mortos ou dos que tiveram de deixar suas casas. Até que, de novo, a terra, viva, grite de dor. Então os repórteres voltarão a falar de “fatalidades”.

 

Quando os humanos aprenderão? São apenas uma espécie, entre tantas, nesta bola azul. Quando perderão a arrogância? Quando voltarão a reverenciar a Pachamama, cuidando dela? Quando perceberão que o modelo de desenvolvimento proposto pelo capitalismo é uma sentença de morte pairando sobre a cabeça de todos? Chegará esse dia? Chegará?

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